REFLEXÃO SOBRE A EDUCAÇÃO PARA A VIDA
Roberto Rinaldi Jr.
Presidente do Conselho de Administração da AECEP
Podemos perceber educação sob diferentes formas: como uma atividade social, econômica, política ou religiosa. Se buscarmos a definição no dicionário, encontraremos algo como “processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança, visando sua melhor integração social” (Aurélio). Tanto podemos abordar no âmbito familiar do dever dos pais para com os filhos, alvo de muitos livros recentes de auto-ajuda, quanto na perspectiva de nações desenvolvidas em transformá-la em arma estratégica para competitividade global. Ainda podemos nos referir a ela com a abrangência eclética de uma sociedade materialista que usa intensamente a mídia para formar uma geração de consumidores, ou como iniciativa de rígidas escolas confessionais, que doutrinam jovens com uma visão polarizada da vida e para a vida.
Enfim, educar no sentido mais amplo compreende habilitar, tornar apto para ser e fazer de maneira eficaz, alcançando todo seu potencial como pessoa e como elemento integrante de uma comunidade.
Seja como for, ninguém tem dúvida da importância da educação, pauta relevante na agenda de todo governo consciente. No Brasil temos um elevado contingente de crianças, um futuro para ser conquistado, demandando muito esforço educacional. Nunca se investiu tanto em educação como em nossos tempos, nunca houve tantos recursos disponíveis e nunca os pesquisadores souberam tanto sobre a psicologia e a neurologia associada ao aprendizado. Estamos cercados de teses maravilhosas sobre a riqueza da inteligência, em seu aspecto emocional, multiforme e criativo. Em nenhum momento do passado jovens tiveram tanto tempo livre e poder de acesso à informação e comunicação.
Contudo, será que estamos compreendendo e tendo sucesso em nosso empenho educacional? Não estamos nos limitando à educação no sentido puramente acadêmico, ou com o pragmatismo de um contexto organizacional, mas nos atendo ao sentido mais abrangente de preparar para a vida. E o que estamos encontrando? Em todo mundo pais perdem o sono com problemas semelhantes a ameaçar seus filhos: gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis, violência, drogas, acidentes de trânsito, e prioridades equivocadas. Apesar de todos os recursos que essa nova geração tem para seu desenvolvimento, parece às vezes que caminha para um colapso.
Considerando a geração atual como a matéria-prima da sociedade futura, devemos nos preocupar com a situação e olhar com muita responsabilidade para essas dezenas de milhões de crianças e jovens de nosso país. Nesse sentido, vemos a educação como o processo de preparar uma geração para cumprir seu propósito na história, agregando valor à sociedade a partir da compreensão de sua própria identidade e vocação. Os jovens de hoje não são piores do que os de ontem, mas certamente estamos colhendo como sociedade o que plantamos no passado. Quanto temos consciência disso? Quanto estamos compromissados como pais, educadores, líderes em geral, a cumprir nosso papel de educar para uma vida melhor, entendendo os complexos fatores envolvidos na formação das competências e do caráter?
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