|
Uma Escola é uma Escola
Por: D. Bruce Lockerbie
por D. Bruce Lockerbie, Presidente, PAIDEIA, Inc. Stony Brook, Nova Iorque Tradução de Fernando Guarany Jr.
Em ocasiões como esta, quando a comida e a conversa se complementam mutuamente, minha tarefa é oferecer a sobremesa ajudando-nos a enfocar o propósito pelo qual nos reunimos. O slogan da PAIDEIA, a empresa de consultoria que dirijo, é “Ajudar as Escolas a Crescerem Mais Fortes.” É por isso que existimos, é por isso que a Fundação para Educação Cristã Americana existe, é por isso que estamos aqui nesta conferência: Para ajudar a nossa escola e outras escolas a crescerem mais fortes. Para alcançar este objetivo, creio que devemos analisar o que deve ser feito para cumprir nossa vocação educacional como líderes, professores, equipe de apoio e membros do conselho – todos buscando alcançar o mais alto padrão de excelência em nosso trabalho para glória de Deus.
Para começar, vamos concordar com Desidério Erasmo quando diz que ´´todo estudo. . . seja para que conheçamos a Cristo e o honremos. Este é o fim de todo aprendizado e eloqüência.”
O que mais precisa ser dito?
Em segundo lugar, vamos concordar que a educação escolar cristã é totalmente diferente de qualquer outro aspecto da educação cristã genérica – devocionais, atividades da escola dominical e grupo de jovens, estudos bíblicos, aconselhamento pré-marital, aconselhamento por luto – exceto neste aspecto: A educação cristã escolar também é comprometida em honrar Jesus Cristo! Diferentemente da Escola Dominical ou do Grupo de Jovens, a educação cristã escolar:
• é um meio de cumprir a obrigação legal que os pais têm com o estado de educar os seus filhos • deve cumprir parâmetros impostos pelas autoridades seculares • presta contas com base em padrões mensuráveis de aproveitamento. • exige freqüência regular • exige que a criança se qualifique para instrução submetendo-se ao registro de saúde e teste psicométrico. • mede e avalia o progresso da criança • requer que seus líderes adultos sejam graduados e pós-graduados • exige o pagamento de anuidades
Mas, a educação cristã escolar também difere intrinsecamente de outras formas de educação cristã. Como em qualquer lar ou igreja, a educação acontece por meio de disciplina e doutrinação. Em casa, a criança recebe carinho, incentivo, disciplina, amor e sacrifício pelo exemplo dos pais. Contudo, a educação cristã escolar é diferente e exige métodos de ensino diferentes. Além disso, a educação cristã escolar nos compele a afirmar – parafraseando Gertrude Stein – que uma escola é uma escola.
Alguns educadores, pais e pastores cristãos bem-intencionados têm deixado de fazer esta distinção. Estas pessoas que interpretam erroneamente a natureza da autêntica educação escolar autêntica, a essência da qual não é o dogma, mas o discurso; não a propaganda, mas a pedagogia; não doutrinação, mas investigação. Enquanto pais e pastores muito corretamente buscam convencer e persuadir com foco singular em sua interpretação da verdade, uma autêntica escola cristã faz outra coisa: A escola cristã autêntica apresenta suas alegações, faz sua asserção e demonstra seu argumento. A escola cristã autêntica não bajula ou pressiona as opiniões; a escola cristã autêntica não força a adesão a uma confissão de credos para passar na prova ou entrar no time ou receber o diploma. A escola cristã autêntica não prega ou persuade; ao contrário, a escola cristã autêntica desafia as pessoas – adultos, adolescentes, crianças – através da razão e pelo exemplo de enfrentar o antigo chamado à decisão de Moisés e Josué: ´´Escolha a vida!´´ e ´´Escolha a quem vai servir!´´
Agora, asseguro a você que eu reconheço a natureza progressiva e reveladora do ensino e aprendizado adequado aos alunos menores. No início da instrução formal, o professor não confunde a cabeça das crianças com referências ambíguas a conceitos matemáticos elevados ou nuances verbais misteriosas. Talvez ao chegar à pós-graduação os alunos tenham descoberto que a fórmula 1 + 1 = 2 têm exceções dependendo do valor mutável de 1. Um aluno mais velho pode vir a perceber como a linguagem varia em sentido e efeito. No entanto, nas séries primárias, é suficiente e necessário para as crianças que aprendam a contar em seqüência, adicionar e subtrair com números simples, e a recitar as letras do alfabeto na ordem correta.
Aqueles entre nós que lecionam nas séries primárias da educação infantil não permitem que seus alunos pequenos criem o seu próprio sistema numérico ou inventem sua própria ordem alfabética. Ensinamos os fundamentos da aritmética de maneira que futuramente nossos alunos progridam para matemática; ensinamos a essência das letras de forma que um dia nossos alunos possam se engajar na plena glória da retórica e leitura. De maneira geral, nossos colegas do ensino fundamental conduzem esta prática insistindo na docilidade de cada estudante em cumprir as exigências do professor em memorizar e, em seguida, recitar as respostas adequadas às perguntas repetidas.
Este método que prevalece na maioria das salas de aula do ensino infantil se chama catequese (literalmente, o ato de ecoar a voz do professor). Alguns de nós têm conhecimento da forma de instrução teológica derivada do aprendizado e recitação de catecismos. Por exemplo, o Breve Catecismo de Westminster começa com esta famosa pergunta: “Qual o fim principal do homem?” Para os que conhecem este documento, não pode haver dúvida ou equívoco – nenhuma revisão editorial – em relação a qual deve ser a resposta correta: “Glorificar a Deus, e desfrutá-lo para sempre.” Então, o método da maior parte de nossa pedagogia nas séries iniciais de instrução pode ser chamado de catequético: Fazemos uma pergunta e nossos alunos dão a resposta pré-aprovada a qual já o treinamos a repetir. Análise, exceções e outras nuances virão posteriormente.
Este é um método válido para ensinar as estruturas básicas de qualquer arte ou ciência; mas, como você já deve ter inferido, também creio que a catequese tenha limitações, especialmente conforme nossos alunos começam ir além do ´´que o Professor diz´´ ou ´´crê” e passam a afirmar uma cosmovisão própria, um sistema de conhecimento próprio e um senso de integração ou totalidade particular.
Certamente, aqueles que atuam nas séries fundamentais já conheceram certos alunos que, ao chegar à adolescência, deixaram para trás a fase em que ficavam satisfeitos em responder com docilidade e recitar suas respostar prontas. Eles querem—e merecem—a aventura da descoberta tipificada pela a experiência do ´´Eureca!” ou “A-ha!”; eles querem—e merecem—o embate de idéias e a oportunidade genuína de defender qualquer argumento razoável que possuam. Pais experientes sabem que as crianças inevitavelmente irão além do estágio em que aceitam como válida a resposta de outrem a todas as perguntas que fizerem. Eles começam a desafiar as respostas convencionais e padronizadas, insistindo em continuamente fazer a pergunta mais perigosa de todas: “Por quê?” Eles não se contentam mais com a dominadora resposta do adulto do tipo: “Porque eu disse que é assim!” Quando equilibradas com o devido respeito, estas mudanças na atitude da criança em relação a opiniões recebidas é um sinal positivo de maturidade crescente. Naturalmente, se formos maduros, nós mesmos encorajaremos este sinal de maturidade.
Infelizmente, alguns adultos—pais, pastores e, até mesmo, alguns líderes educacionais cristãos e membros de conselhos diretivos que não amadureceram o suficiente—não conseguem se deixar acreditar no processo de amadurecimento dos adolescentes. Para eles, o início do pensamento independente da criança traz grande tristeza. Assim, como os ditadores fascistas que contrapunham qualquer evidência de revolução com leis ainda mais repressivas, estas escolas cristãs partem ao ataque quando há qualquer indicativo de que seus alunos—ou pior, o seu corpo docente—estão tendo pensamentos que desaprovam. Fiquem certos disto: a repressão nunca funciona; ao contrário, a repressão é fatal ao desenvolvimento da fé.
Alguns anos atrás, participei de um evento de formatura em uma universidade famosa. Durante uma pausa na distribuição dos diplomas, o presidente do conselho correu ao microfone e disse animadamente: “Gostaria que todos os pais presentes soubessem que seus filhos e filhas receberam uma educação segura.” O que será que este bem-intencionado indivíduo estava querendo dizer? Sem dúvida, ele quis dizer—para sua própria satisfação—que nenhum professor na faculdade tinha ousado apresentar aos alunos qualquer livro, teoria, opinião, idéia ou pensamento perigosos.
Bem, se isso for mesmo verdade, então aqueles alunos foram defraudados de uma genuína educação sob o pretexto de preservar a ortodoxia. Eles jamais haviam sido levados—literalmente ou figuradamente—ao Templo de Salomão para debater com os eruditos, como o menino Jesus o fez; ou ao Areópago para contender com os filósofos e céticos, como fez o Apóstolo Paulo; jamais foram encorajados—como Paulo encorajou o seu discípulo Timóteo—a fazer pleno uso da Paidéia que havia aprendido em seu currículo pagão em Listra. Pelo contrário, eles haviam sido protegidos de qualquer exposição institucional que não se conformasse com a interpretação bíblia ortodoxa da faculdade. Dezoito anos atrás, um jovem pastor me convidou para trabalhar com ele para mudar a cultura de sua escola. Patrocinada pela igreja, esta escola tinha uns 1200 alunos. Tanto ele quanto sua esposa tinham se graduado nesta escola; antes de tornar-se pastor da igreja, ele tinha sido professor e técnico na escola, e a conhecia muito bem. Com três filhos matriculados, ele conhecia bem a atmosfera opressiva sob a qual a escola operava. Em meu primeiro dia na escola, observei que todas as classes—inclusive as últimas turmas do ensino fundamental—marchavam em fileiras duplas em direção a cantina ou da capela para sala de aula e, sob o medo de serem punidos, caminhavam em total silêncio. O pastor me disse: “Gostaria que você me ajudasse a abrir as janelas para deixar entrar o ar fresco!” Levou vários anos para alcançarmos o objetivo. Durante este período recordo-me de uma reunião com o corpo docente no qual uma professora se levantou para contestar as mudanças propostas. Com lágrimas escorrendo em seu rosto, ele protestou: “O que vou dizer quando um aluno me perguntar: ´Por quê?´´´
Lá estava uma senhora de meia idade, profundamente versada em um tipo específico de educação cristã escolar caracterizada por castigo físico e por incutir medo nos alunos; que se orgulha da docilidade e repressão de seus alunos; que insiste na metodologia de classe pela qual o professor faz uma pergunta e chama um aluno, que se levanta em sua carteira, repete a pergunta e recita uma resposta memorizada, como se repetisse um catecismo. Esta mulher se sentia profundamente ameaçada pela possibilidade de mudança e, assim, procurava sabotá-la. Ela preferia a doutrinação ao invés da instrução por investigação, interpretava erroneamente a natureza da educação genuína e a tornava parecida com o treinamento de cachorros ou a lavagem cerebral de reféns de seqüestro.
Uma vítima desta abordagem é Christine Rosen, que narra sua história em seu livro de 2005, My Fundamentalist Education [Minha Educação Fundamentalista]. Ela passou treze anos como aluna de duas escolas na Flórida onde aprendeu como fazer o papel exigido dela ao mesmo tempo sabendo que seu intelecto estava sendo ludibriado em nome de uma doutrina cristã conservadora. O momento crítico em sua educação escolar ocorreu no início da quarta série. Ela havia passado o verão anterior no museu de ciências da cidade, onde havia ficado fascinada por geologia e pela informação que os fósseis pareciam dar-lhe sobre a idade da terra. Quando a professora da quarta série começou a aula de ciências no primeiro dia lendo Gênesis 1, Christine ingenuamente tentou compartilhar o entusiasmo do seu aprendizado de verão com sua professora e colegas. Ela foi imediatamente repreendida por introduzir idéias estranhas e heréticas na classe; a partir desta experiência, ela aprendeu a suprimir seus pensamentos, percebendo que “havia coisas que eu não devia perguntar.” Não é de surpreender que, no último capítulo de seu livro, Christine Rosen escreva: “Não sou mais uma fundamentalista. Nem mesmo me considero mais religiosa. Vivo uma vida inteiramente secular.”
O caso de Christine Rosen ilustra a tolice de qualquer escola cristã que eleve a dimensão espiritual e sua exatidão teológica acima do propósito educacional da escola. Ambos devem ter uma relação equilibrada—o conteúdo acadêmico de uma lição aponta à grandeza do Deus que formulou o universo, que criou os princípios que Euclídes, Galileu, Copérnico, Newton e outros cientistas expressaram como leis universais, cuja natureza humana é feita para o elevado propósito de conhecer a Deus pessoalmente. Infelizmente, muitos professores cristãos honestos, mas equivocados, insistem em forçar sua visão da ortodoxia bíblica sobre seus impressionáveis alunos—que posteriormente escolherão resistir àquilo a que foram coagidos.
Creio que preparar discípulos cristãos maduros exige que nos perguntemos o que a educação cristã escolar deve fazer para apelar tanto à cabeça quanto ao coração, assim como às mãos de nossos alunos, minimizando assim o declínio de nossos ex-alunos em apostasia. Mas, talvez, você se identifique com os que me consideram um herege por tentar minar aquilo que consideram um testemunho essencial e fiel da verdade da Palavra de Deus. Talvez você tenha chegado ao seu trabalho vindo de um ambiente em que a “educação cristã escolar” denote precisamente o que acabo de condenar como falsidade: uma infindável seqüência de declarações coercivas e intimidadoras que acompanham um catecismo rígido de respostas aprovadas a perguntas teológicas. Talvez, você me considere um impostor por não apresentar uma visão mais rígida da doutrina em uma escola cristã; por alegar que não podemos perpetuar uma pedagogia de mentes fechadas e chamá-la de educação cristã; por advogar o fim da doutrinação em favor da instrução por investigação. Pois é exatamente isto que estou fazendo hoje: Chamando os líderes e professores das escolas cristãs a adotar um novo paradigma para a escola cristã do século XXI – se é que queremos obter êxito em preparar discípulos cristãos maduros entre nossos alunos e graduados.
Repito uma de minhas crenças mais sinceras: a missão da escola cristã é educação, não evangelismo. Mas, creio com igual fervor que evangelismo e o ato de conversão ocorrerão na escola cristã conforme ensinamos a responder a nosso chamado a ser exemplos para nossos alunos. Entretanto, para a conversão de nossos alunos ocorrer, não basta que sejamos líderes de jovens ou conselheiros de retiros espirituais; devemos ser educadores e eruditos em nossas escolas, cumprindo a missão de nossa escola e o propósito para o qual os seus pais os matricularam.
Além disso, este novo paradigma em educação cristã escolar significa lidar com o mundo da racionalidade e especulação, das idéias, da imaginação, dos questionamentos. Significa expandir nossas mentes e as mentes de nossos colegas e alunos; significa exercitar nossa capacidade de pensar além das categorias pré-aprovadas e, acima de tudo, significa fazer perguntas e encorajar aos outros a fazer suas próprias perguntas, mesmo se—ou melhor, especialmente se—não tivermos todas as respostas.
Deixem-me apelar a vocês falando dos métodos de ensino de Jesus Cristo de Nazaré e Seu chamado ao discipulado. Aqui, percebo, estou repetindo algo da palestra desta manhã. Com base em nosso conhecimento de educação escolar, obtemos uma imagem do professor convencional e seus alunos: ele senta em um banco ou tronco de árvore com seus alunos—exclusivamente meninos—espalhados ao seu redor e a seus pés. É por isso que, quando São Paulo se dirige à multidão em Jerusalém, ele lhes diz que havia “se assentado aos pés de Gamaliel” (Atos 22:3), um famoso rabino ou mestre, neto do renomado rabino Hillel, cujo nome é atualmente utilizado por um grupo religioso judaico em uma universidade secular. De acordo com esta antiga tradição, estes estudantes também eram discípulos, submetidos à disciplina de seu mestre, que significava aprender por memorização e recitando respostas pré-aprovadas.
Contudo, com doze anos, Jesus de Nazaré era muito mais parecido com Sócrates do que com Hillel ou Gamaliel. Ainda menino, ele quebrou o método tradicional de ensino e aprendizagem e, como sabemos através do relato de Lucas, deixou os doutores e líderes religiosos atônitos. . . Como? Fazendo perguntas que iam muito além das fronteiras do que era aprovado e esperado; e mais ainda: ele ousou responder suas próprias perguntas com respostas que os anciãos jamais haviam ouvido! Ele não ensinava o que os outros ensinavam; ele não oferecia teologia sistemática ou técnicas para memorizar o que os outros doutores diziam. Ele ensinou os seus próprios princípios em parábolas, como faziam também os rabinos; mas, Ele também fazia perguntas às quais não havia respostas pré-aprovadas e, às vezes, se fazia parecer tão desinformado quanto Sócrates, que se engajava no que chamava de ´´método Socrático´´ de fazer perguntas-guia.
Por exemplo, enquanto atravessava a região a leste do Rio Jordão, chamada Decápolis [Dez Cidades], onde o culto ao imperador romano florescia, Jesus vira para seus discípulos e faz a seguinte pergunta investigativa: “O que o público acha de mim?” Quem eles dizem que sou?”Será que Jesus não sabia a resposta? Por que então a pergunta? Seus discípulos dão a resposta com base em rumores, fofocas e na “seção de religião de seu jornal local”: “Uns dizem uma coisa, outros dizem outra. . .” Então, na seqüência, vem Seu questionamento, que revela o verdadeiro cerne da questão. Jesus particularmente não se importa com o que a multidão diz ou pensa; Ele quer saber o que os seus alunos—seus discípulos—dirão: “Quem vocês dizem que Eu sou?” Ele quer dar-lhes a oportunidade de expressar sua crença nele, o que é feito por Simão Pedro em sua famosa confissão: “És o Cristo, o Filho do Deus vivo.”
Outro exemplo de como o método de Jesus é diferente da pedagogia padrão: No primeiro dia da semana seguinte à Páscoa, dois homens estão caminhando em direção à vila de Emaús. De repente, uma terceira pessoa se junta a eles; alguém que eles não reconhecem. Ele começa a conversar, perguntando-lhes por que estavam tão abatidos e melancólicos. Eles mencionam um acontecimento ocorrido dois dias antes e ele diz não saber do que eles estavam falando. Atônitos, eles lhe perguntam: ´´Onde você esteve durante todo o fim de semana?´´ Você não assistiu o Jornal da Globo? Não leu a Folha de São Paulo? Então, o próprio Senhor Ressurreto começa a dialogar com eles, explicando a partir das Escrituras por que e como o Messias deveria morrer e ressuscitar. Somente após Ele ir embora é que eles compreendem quem Ele é e como seus corações queimaram quando Ele abriu a Palavra de Deus para eles.
Nossa tarefa como pessoas chamadas à educação cristã escolar é emular nosso Grande Mestre e, portanto, capacitar nossos alunos a progredir da posição de convertidos e tornar-se Seus discípulos. Mas, não apelamos às suas mentes, corações e mãos através de intimidação e pressão ou exigindo e insistindo na aceitação dogmática da doutrina privada do discurso e discussão; não fazemos convertidos castigando-os se derem a resposta errada ou inadequada. Assim, pergunto:
• Será boa pedagogia ou partidarismo um professor em qualquer escola cristã evangélica—mesmo que seja uma escola patrocinada pela igreja—assumir a autoridade do pódio ou púlpito ou datashow para insistir em promover uma forma de batismo e excluir todas as outras? • Será algo apropriado ou mero partidarismo teológico declarar categoricamente como o final dos tempos ocorrerá? • Será algo apropriado ou mero partidarismo teológico excluir a possibilidade de que o Espírito Santo continua a se manifestar hoje como fazia no tempo dos apóstolos? • Será algo apropriado ou mero partidarismo fazer campanha para um candidato político em detrimento de outro? • Será algo apropriado ou mero partidarismo tomar qualquer posição que exclua o que outros cristãos têm escolhido crer por 2000 anos? • Será algo apropriado ou mero partidarismo utilizar o sistema de boletins, notas e relatório de desempenho acadêmico contra a escolha do aluno por causa do que ele crê, ainda que a escolha do aluno seja um erro? • Por fim, será que nossa prática pedagógica avança a apreensão do aluno da santa sabedoria de Deus, do conhecimento humano e do entendimento espiritual sob o Senhorio de Jesus Cristo?A sua prática pedagógica conduz ao discipulado maduro ou à apostasia adulta?
E agora algumas palavras dirigidas aos meus colegas em sala de aula: Como um profissional chamado à vocação da educação escolar cristã, o que você pode fazer para cultivar o discipulado cristão maduro em seus alunos, ao invés da apostasia e deserção deles? Eis algumas sugestões práticas de alguém que está nesta missão há mais de meio século:
• Limpe a sua mente das porcarias e do lixo livrando-se da perda de tempo com diversões tolas, especialmente, os programas do horário nobre da televisão. • Leia mais biografias e histórias • Assine pelo menos uma revista de sua área profissional e leia-a fielmente • Leia o editorial e as cartas ao editor em seu jornal • Memorize uma nova passagem da Bíblia a cada mês • Ouça ao menos uma hora de boa música todos os dias; gravada ou em alguma estação de rádio séria • Matricule-se em aulas de pós-graduação em busca de conhecimento, não de créditos • Reúna-se regularmente para breves estudos bíblicos e oração intercessória • Interesse-se pelo que os outros estão aprendendo e ensinando • Peça a um colega para explicar algum aspecto complexo de sua disciplina • Evite conversas despropositadas e especialmente fofocas; concentre-se em idéias • Exija que as reuniões do corpo docente avancem com idéias práticas • Ministre suas aulas em um nível que desafie a capacidade dos melhores e mais brilhantes alunos em sua classe. Em seguida, adapte-se aos demais conforme necessário • Transfira a visão de seus alunos do concreto ao abstrato perguntando: “E se. . .?” • Mostre—não diga—como a sua cosmovisão bíblica, sua epistemologia bíblica e a sua integração bíblica moldam a sua apresentação da aula • Sempre que possível, demonstre como aquilo que os alunos estão aprendendo em outra disciplina se conecta com o que você está ensinando em sua matéria • Honre o desejo de seus alunos de aprender respeitando toda pergunta com uma resposta honesta, mesmo que a resposta seja “eu não sei” • Não se contente em ensinar a lição deste ano da mesma forma que fez no ano anterior • Tenha em mente que, em cada classe de todas as séries, o professor está na presença de pelo menos um aluno que lhe é intelectualmente superior
Já lhes assegurei que nossa tarefa não será fácil, mas insisto que considerem estas encorajadoras palavras de São Paulo aos Coríntios: “Porque uma porta grande e eficaz se me abriu; e há muitos adversários” (1 Cor. 16:9). Creio que uma das palavras mais encorajadoras do Novo Testamento possa ser o conectivo e.
O que teríamos você ou eu escrito se nos encontrássemos na situação do apóstolo Paulo? Cansados de viagens muito mais complicadas do que enfrentamos hoje em dia; molestado onde quer que fosse por um ou outro grupo hostil; diariamente se arriscando a perder sua liberdade ou vida; sem mencionar o fato dos hereges, apóstatas, falsários e desertores entre os cristãos professos—talvez tivéssemos escolhido uma palavra diferente. Talvez, tivéssemos escrito sobre a oportunidade de uma “obra eficaz” apresentada por uma “porta aberta´´ e, em seguida, titubeando, disséssemos: ´´mas, há muitos adversários.´´ “Mas” pareceria ser a palavra adequada. Graças a Deus, Paulo de Tarso escreveu e, ao invés de mas. Graças a Deus, você e seus colegas, o conselho e a administração de sua escola, a liderança das escolas nos EUA e eu, juntos, em coro, todos dizemos e, ao invés de mas. É claro que temos muitos adversários! A presença de adversários e oposições e impedimentos e, até mesmo, de desapontamentos faz parte do grandioso esquema da providência de Deus. A palavra e dá autenticidade ao nosso chamado, realidade ao trabalho da educação cristã escolar que, de outra forma, nada mais seria que mais um sonho mundano.
Então, avancemos! Ao alto e avante. Empenhemo-nos—como Erasmo—em garantir que “todos os estudos” em nossas escolas “sejam para que conheçamos a Cristo e o honremos.”
Que nosso trabalho em educação cristã escolar seja para glória de Deus, que nos chamou para esta venturosa obra!
__________ Notas da Tradução: *A expressão “uma escola é uma escola” [a school is a school is a school] de Gertrude Stein ficou popularizada com o sentido de que todas as escolas são iguais.
|